Anabolizantes: na ”modinha” fitness a saúde fica de lado!


ANABOLIZANTE! TEM OU NÃO TEM PROBLEMA!?

Hoje ouvi em consultório a seguinte frase:

– Minha amiga está tomando, ela está com um corpo lindo, o sonho de qualquer mulher…

E dai eu penso: saúde é algo serio. Uma vez com um problema de saúde instalado a vida de uma pessoa muda 100%. E o que vale beleza HOJE e um futuro problema dali alguns anos!? Infelizmente esses produtos usados de maneira errônea não causam efeito colaterais agora durante o uso, mas no futuro sim!

Resolvi buscar alguns artigos científicos sobre o assunto e trazer você para reflexão!

Apesar de os meios de comunicação publicarem quase que diariamente matérias sobre o assunto, muitos usuários desconhecem os possíveis efeitos colaterais dos EAA ou não acreditam nos efeitos adversos dessas drogas.
Devido às suas ações anabólicas, os esteroides anabolizantes (EAs) são usados por atletas para melhorar o desempenho físico, mas seu uso vem sendo crescente também entre indivíduos que praticam atividade física como forma de lazer, com o simples objetivo de melhorar a aparência física. Os usuários de EAs fazem uso de doses suprafisiológicas, que podem levar ao aparecimento de sérios efeitos colaterais, como os prejuízos cardiovasculares, o que faz do uso indiscriminado e abusivo um importante problema de saúde publica.

O uso de doses suprafisiológicas de EAs pode levar a sérios efeitos colaterais, entre eles a acne, o crescimento de pelos, a diminuição dos níveis de hormônios luteinizantes e folículo estimulante, que levam à diminuição da produção de testosterona endógena e da espermatogênese e, consequentemente, à atrofia testicular. Esses efeitos normalmente voltam ao normal após o término do uso da droga, no entanto podem durar até seis meses (MARAVELIAS et al., 2005). Em mulheres podem causar mudança da voz, hipertrofia da clitóris, irregularidade menstrual, diminuição da gordura corporal e aumento de pelos faciais (STRAUSS et al., 1985).

Al-Falasi et al. (2008), ao analisarem o conhecimento e a prevalência do uso de EAA entre frequentadores de academias nos Emirados Árabes, notaram que 41% dos pesquisados acreditavam que os EAA causavam danos ao fígado, 41% ginecomastia, 29% déficit de crescimento e 20% câncer.

Santos, Rocha e Silva (2011) avaliaram o uso e conhecimento de EAA entre fisiculturistas brasileiros por meio de questionários cujos resultados demonstraram: 34,9% do total de sujeitos pesquisados consideravam os EAA drogas perigosas e 32,5% como medicamentos para ganho acelerado de massa muscular. Outro dado relevante dessa pesquisa é que somente 13% acreditavam que os EAA poderiam levar ao óbito.

Evans (1997), ao investigar o perfil de 100 usuários de EAA do sexo masculino, notou que cerca de 88% dos usuários apresentaram efeitos colaterais. Os mais citados foram: acne (54%), ginecomastia (34%) e estrias (34%). Em pesquisa sobre a autoadministração de EAA entre 500 usuários por meio de questionários, observou-se que quase 100% dos usuários apresentaram algum efeito colateral, tais como: atrofia testicular, acne, retenção hídrica, estrias, ginecomastia, entre outros (PARKINSON; EVANS, 2006).

Em relação ao sistema geniturinário, os EAA podem ocasionar ao homem contagem de espermatozoides reduzida (oligospermia), atrofia testicular e ausência completa de espermatozoides na ejaculação (azoospermia) por inibição da secreção de gonadotrofina, bem como pela conversão dos andrógenos em estrógenos, além de provocar uma ereção dolorosa e persistente, denominada priapismo (ABRIL et al., 2005; BONETTI et al., 2008).

Em relação às mudanças no perfil lipídico, observa-se aumento do colesterol total e de triglicerídeos, diminuição da lipoproteína de alta densidade (HDL) e aumento da lipoproteína de baixa densidade (LDL). Bonetti et al. (2008) verificaram reduções estatisticamente significativas nos níveis HDL e aumento não significativo no LDL em fisiculturistas após a administração de diversos EAA (estanozolol, norandrostenediona, Oxandrolona, DHEA, entre outros) pelo período de dois anos.

Os efeitos adversos hepáticos decorrentes do uso de EAA estão entre os mais comuns e graves, dentre os quais podemos destacar aumentos dos níveis de marcadores enzimáticos de toxicidade no fígado, podendo ocasionar hepatotoxicidade, além de hepatomegalia, adenoma hepatocelular (tumor de origem epitelial), entre outros (VIEIRA et al., 2008; SCHWINGEL et al., 2011).

anana

Alterações psicológicas negativas relacionadas ao uso abusivo de EAA são observadas, tais como: aumento da agressividade, irritabilidade, depressão, mania e psicoses. Estudo randomizado, duplo cego, descreveu elevações nos índices do Questionário de Agressão de Buss e Parry (p = .002) e na Escala de Avaliação de Mania para Jovens (p = .03) após 12 semanas de administração suprafisiológicas de cipionato de testosterona, pelo período de seis semanas, em homens usuários de EAA quando comparados ao grupo controle. Entretanto, segundo os autores, esses efeitos não foram uniformes entre os grupos analisados e necessitam ser mais bem compreendidos (POPE; KOURI; HUDSON, 2000).

Inúmeros efeitos colaterais podem ser causados pelo uso não terapêutico, indiscriminado e abusivo de EAA. Ressalta-se, ainda, que os efeitos adversos podem afetar vários órgãos e sistemas. Alguns desses efeitos parecem ser desconhecidos ou pouco evidenciados na literatura, devido, principalmente, à dificuldade na obtenção de informações ou mesmo em virtude de negações dos usuários de EAA em participar de pesquisas. Além dessas limitações, normalmente usuários de EAA utilizam outras drogas, tais como: GH, insulina, estimulantes, óleos localizados, entre outras; logo, torna-se inconsistente a associação direta entre causa e efeito.

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