Com os amigos nos comemos mais!


Esse é um tema que gosto muito de reforçar em primeira consulta: que buscar um novo estilo de vida não é se trancar dentro de casa e dizer não para todos com os convites que seus amigos te fizerem, o grande segredo está em você melhorar seu comportamento em eventos, e existem várias dicas e técnicas para te ajudarem a melhorar essa sua relação com os alimentos, que abordarei em outro texto. Mas pesquisando mais sobre o assunto achei um artigo muito interessante com o seguinte título: Comer o quê com quem? Influência social indireta no comportamento alimentar ambivalente.

Comer é um ato social que vai para além das necessidades básicas de alimentação (Ogden, 2003). O consumo de alimentos assume frequentemente um papel central nas interações sociais. As refeições são muitas vezes utilizadas para nos conhecermos, convivermos, partilharmos e comemorarmos acontecimentos. A quantidade de comida que ingerimos e as escolhas alimentares que fazemos são influenciadas, quer por fatores internos, como as atitudes face aos alimentos (e.g., Shepherd, 1999), quer por fatores externos como o contexto social onde ocorre o comportamento (e.g., Stroebele & de Castro, 2004).

Frequentemente temos de escolher entre o prazer e a saúde e, frequentemente ganha o prazer. Apesar de sabermos que, por exemplo, um pacote de batatas fritas não é benéfico para a saúde na medida em que contém muitas calorias, gordura e sal (avaliação negativa), gostamos do seu paladar (avaliação positiva). De fato, a literatura revela que embora as ideias e conhecimentos sobre alimentação saudável sejam genéricamente corretas (Associação de Doentes Obesos e Ex-Obesos de Portugal [Adexo], 2006), as pessoas preferem consumir alimentos principalmente saborosos (e.g., hambúrgues, cachorros quentes, bolos, doces), mesmo sabendo que nem sempre são os mais saudáveis (Matos & Equipa do Projecto Aventura Social e Saúde, 2002; Murphy, Youatt, Houer, Sawyer, & Andrews, 1995; Noble, Corney, Eves, Kipps, & Lumbers, 2003; Pliner & Mann, 2004). Esta ideia é também apoiada pelo modelo de conflitos de objetivos (Papies, Stroebe, & Aats, 2008) que defende que os alimentos têm um valor hedônico, sendo os alimentos saborosos os preferidos.

Facilitação Social, Normas Sociais e Formação de Impressões

Embora sem considerarem a ambivalência das atitudes, vários estudos têm demonstrado os efeitos da influência social indireta nos comportamentos alimentares. Um dos fenômenos mais estudados é a facilitação social (Triplett, 1898), que se refere ao efeito que a presença de outros tem no nosso comportamento (ver Aiello & Douthitt, 2001). Segundo Zajonc (1965, 1995; Zajonc, Heingartner, & Herman, 1969), a presença de outros, quer seja como observadores, quer seja como co-atores, provoca uma ativação fisiológica levando à emissão da resposta dominante. Esta ativação fisiológica pode derivar quer do receio de uma avaliação negativa (Cottrell, 1972), quer de uma diminuição dos recursos atencionais que resulta em distração (Baron, 1986). Se a tarefa a desempenhar for simples ou bem aprendida, a presença de outras pessoas provoca uma melhoria no desempenho. Porém se a tarefa for difícil, complexa ou mal aprendida o desempenho é prejudicado pela presença de outros (Zajonc & Sales, 1966).

Estudos na área dos julgamentos sociais mostram que a norma de comer pouco faz sentido, uma vez que, somos pior avaliados pelos outros, quando ingerimos grandes quantidades de comida (e. g., Basow & Kobrynowicz, 1993; Chaiken & Pliner, 1987). Mas mostram também que somos pior avaliados quando optamos por alimentos pouco saudáveis (e.g., Paulino, 2007; Stein & Nemeroff, 1995; Vartanian, Herman, & Polivy, 2007). Estes dados sugerem que, para além das normas identificadas, existe uma outra norma que dita que devemos praticar uma alimentação saudável.

De uma maneira geral, pensamos que este estudo permite uma melhor compreensão do comportamento alimentar de pessoas ambivalentes em contextos sociais. Os resultados apoiam o modelo de atitudes como construções temporárias (Erber et al., 1995), mostrando uma maior sensibilidade das pessoas ambivalentes relativamente aos contextos onde ocorrem os comportamentos. Como foi visto, não se trata apenas de comer muito ou comer pouco e com quem. Trata-se também de comer o quê com quem. Enquanto comer com pessoas com quem não nos sentimos muito à vontade, nos faz bem, comer na companhia de amigos já não é tão saudável, principalmente se formos ambivalentes face à refeição.

Fonte: Aiello, J. R., & Douthitt, E. A. (2001). Social facilitation from Triplett to electronic performance monitoring. Group Dynamics Theory, Research and Practice, 5, 163-180. [ Links ]

cerebro-metabolismo

 

 

Comportamento Alimentar pode ser adaptado e moldado, exige vontade de querer melhorar e um conceito muito claro que muitos tem que melhorar hábitos é se privar de tudo. Na Nutrição Comportamental não é uma questão de privação e sim de equilíbrio, qual o problema de um pedaço de pizza no sábado com os amigos se você controla e tem controle nas outras refeições! Cuidado com as privações extremas, elas tem levado muitas pessoas a transtornos alimentares mais sérios como compulsão, bulia, anorexia, etc…

 

Procure sempre um Nutricionista quando quiser mudar sua alimentação para qualquer objetivo!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *