Restrição Alimentar e o ganho de peso!


A obesidade é uma doença de alta prevalência no mundo e é responsável por sérias repercussões orgânicas e psicossociais, desde a infância até a vida adulta. O comportamento alimentar tem bases biológicas e sociais e, associado, à obesidade, torna-se um processo ainda mais complexo pelos aspectos psicológicos envolvidos, os quais se expressam por meio de humor depressivo, ansiedade, sentimento de culpa e, também, por mecanismos fisiológicos, como a resistência ao jejum na vigência de dietas restritivas.

French et al.27, por meio da observação de vários estudos, concluíram que as pessoas com comportamento de fazer dieta (dieters), não necessariamente obesas, possuem relatos de baixa ingestão de alimentos energéticos e ricos em gordura, como doces, carnes, batata frita e refrigerante, e alta freqüência de atividade física intensa, comparadas àquelas que não têm o comportamento de controlarem o que comem. As mulheres apresentam com mais freqüência comportamento de sub-relato alimentar, devido às maiores pressões culturais e sociais a que são submetidas para manter hábitos alimentares saudáveis e padrão corporal esguio.

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Restrição alimentar é uma estratégia comportamental e cognitiva, que as pessoas usam para controlar o peso corporal.

O termo restrained eating foi definido como uma tendência a restringir o consumo alimentar conscientemente, a fim de prevenir o ganho de peso ou promover sua perda. Estudo envolvendo 387 famílias francesas, num total de 1320 indivíduos entre 11 e 65 anos, objetivou descrever os padrões alimentares de famílias francesas e avaliar a relação entre consumo dietético, perfil alimentar e sobrepeso. Os resultados mostraram que a restrição alimentar foi significativamente relacionada com excesso de peso e menor ingestão energética em homens e mulheres. Em mulheres, foi associada à menor ingestão de proteínas e carboidratos.

Estudos demonstraram que unrestrained eaters, pessoas que não restringem o consumo de alimentos, ou nondieting, pessoas que não fazem dieta, comem menos após um lanche altamente energético. Esta regulação de energia é normal, isto é, a pessoa compensa o lanche comendo menos, posteriormente. Porém, restrained eaters, pessoas que restringem o consumo alimentar, comem mais depois de um lanche altamente energético. Este comportamento é explicado pela desinibição do controle cognitivo, uma vez que acreditam ter excedido o consumo alimentar permitido com a ingestão do lanche energético. Esta situação pode resultar em episódios de compulsão alimentar, alternados a períodos de restrição energética.

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Estudo realizado por Westenhoefer, com 50 mil homens e mulheres, participantes de um programa para perda de peso, mostrou que a alta pontuação inicial de restrição alimentar está associada à maior ingestão alimentar e maior Índice de Massa Corporal (IMC).

Os seres humanos mantêm o mesmo peso por muitos anos, o que indica que o peso corporal é regulado em torno de um ponto de equilíbrio (set point); porém, alterações extremas do comportamento alimentar podem levar a distúrbios no controle do peso. O sistema de regulação corporal permite equilíbrio de energia positiva, conduzindo a ganho de peso, mas se defende fortemente contra equilíbrios de energia negativa, que ameaçam causar perda de peso.

Williams, em revisão da literatura correspondente, afirmou que as pessoas que persistem em dietas de poucas calorias perdem grandes quantidades de peso, em média, 20kg em 12 a 16 semanas. A maioria destes indivíduos, contudo, recuperam o peso dentro de um curto período de tempo. Muitos deles, reiniciam, então, o processo de dieta, recomeçando o ciclo.

Estudo desenvolvido com um grupo de mulheres restrained eaters, realizado em um período de seis meses, revelou que, embora o peso flutuasse diária e semanalmente, estas mulheres não perderam peso durante os seis meses.

As reflexões desta revisão sugerem que programas de redução de peso, individuais ou em grupo, tenham abordagem interdisciplinar, de fato, e que enfatizem, junto aos pacientes, a compreensão dos mecanismos biopsicosociais aos quais estão submetidos. Para isso, a estratégia da Teoria Cognitiva Comportamental parece muito útil para bloquear o ciclo vicioso, exaustivamente discutido neste estudo, tornando-se, portanto, uma aliada no tratamento da obesidade.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-52732005000100008

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