Se apaixonar, emagrece?


Acredito que não há nada mais comum do que emagrecer ao apaixonar-se. Há relatos de mulheres perdem muito peso – e muitas roupas – ao encontrar uma grande paixão. Quando a paixão não acontece temos sempre aliados como o chocolate como muletas para o nosso vazio e/ou para quando somos rejeitados.

Em primeiro lugar, vamos definir o que é paixão. Paixão é diferente de amor. A paixão é um sentimento intenso que chega quase sempre sem avisar. Capaz de alterar nossa percepção da vida, do mundo e das pessoas. A paixão nos deixa entusiasmados e motivados. Os apaixonados tornam-se desconcentrados, perdem a fome e o sono. Seus olhos brilham, os batimentos cardíacos são acelerados. Tudo isso por culpa de um hormônio chamado dopamina, um dos responsáveis pela nossa felicidade, pela nossa alegria e por aquela constatação de que “o amor é lindo”. A paixão parece aumenta o metabolismo.

Pesquisas recentes mostraram que as estruturas do cérebro chamadas: núcleo caudado, área tegmentar ventral e córtex prefrontal se mostraram mais ativadas em pessoas apaixonadas. Estas são zonas ricas em dopamina e em endorfina. Ambas são neurotransmissores e a última possui efeito semelhante ao da morfina. Juntos eles estimulam os circuitos de recompensa – os mesmos que nos proporcionam prazer em comer quando sentimos fome e em beber quando temos sede. Estar apaixonado resultará na liberação de mais endorfina e dopamina, ou seja, de mais prazer. Então comer e beber passam a ser “secundários” e por isso o apaixonado emagrece.

Percebam a importância de quebrar a ligação exagerada entre as nossas fontes de prazer e o comportamento alimentar. A busca de outros prazeres é imprescindível para quem quer ou precisa perder peso. O dito “gostar da boa mesa” ou “o bom gourmet” muitas vezes disfarça o pecado da gula e/ou a compulsão alimentar na busca constante do bem estar resultante de descargas de dopamina e endorfina.

6-Apaixonarse

As atividades físicas, a paixão, um hobby ou qualquer atividade prazerosa são capazes de nos dar a dose diária de “felicidade” e de nos garantir “as lentes” para enxergar o lado bom do mundo.

Se você não está apaixonado ou se não tem condições de se apaixonar neste momento da sua vida, busque outra forma de “paixão” e isso certamente lhe ajudará no controle e mudança do seu comportamento alimentar. As paixões duram em média seis meses e depois disso partem para o caminho do amor ou do esquecimento. Em ambos os casos percebemos quase sempre um aumento de peso, visto que voltamos a buscar a dopamina e a endorfina na comida.

Paixão é como dieta radical: dura pouco e engorda no final. Talvez o caminho para uma vida física e emocional saudável seja sempre buscar o que nos motiva, que acrescenta e que dependam apenas de nós mesmos. O autocontrole, o domínio das rédeas sua vida, o amor próprio podem ser grandes aliados na busca de uma vida alegre e de momentos felizes.

 

Texto de Viviane Cristina Battistella – Psocologa e Psicoterapeuta –  contato: vcbattistella@terra.com.br

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